Gumercinda e Alice querem viver

Desponta uma cabecinha. Brotando da areia. Ploft.

Ela é pouco maior do que uma unha. Mas uma unha é capaz de esmagá-la. Sou o primeiro ser vivo que ela vê, meu olhar seu primeiro contato com o mundo de fora, o planeta que fica além da areia. Vida com vida.

O êxtase é todo meu, ela pode estar apenas assustada. Ou curiosa. Ainda no lado de dentro, há o restante de seu pequeno corpo. Abra seu polegar e seu indicador, mas não muito, e você saberá o tamanho dela. Vou chamá-la de Alice, porque nós, humanos, gostamos de nomear. Mas ela deve se conhecer por caminhos que desconhecemos.

Um dos primeiros bebês do ano de 2018, no Tabuleiro do Embaubal, na Amazônia paraense LILO CLARETO

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A longa e perigosa jornada de mães e bebês tartarugas num dos berçários mais espetaculares do mundo

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Luiz Cardoso da Costa, uma das pessoas que mais conhece o comportamento das tartarugas-da-amazônia, no Tabuleiro do Embaubal LILO CLARETO

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O predador que virou protetor

Ele foi um dos terrores dos fiscais, até que se tornou um deles. Sua vida contém o drama das tartarugas no Tabuleiro do Embaubal, no Pará

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Tuíca pesca com a ajuda de outros sentidos, já que os olhos cobertos pela catarata pouco enxergam. lilo clareto

Tuíca pesca com a ajuda de outros sentidos, já que os olhos cobertos pela catarata pouco enxergam. LILO CLARETO

O ribeirinho e a tartaruga

Nada é simples entre o rio, o humano e o não humano

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Base de fiscalização, no Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal, no rio Xingu.

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Desmandos e impunidade ameaçam tartarugas

Num ambiente afetado por Belo Monte, escolhas políticas e más condições de trabalho comprometem a obrigação legal de proteger os quelônios num dos tabuleiros mais importantes do Brasil

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"Cris das Tartarugas" no Tabuleiro do Embaubal, à espera do nascimento dos filhotes. LILO CLARETO

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Oito tartarugas de chifre e dois humanos criativos

Como surgiram essas heroínas de nomes extraordinários e imensas jornadas

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As mulheres que dizem não

Ele estava lá, o homem perplexo. Ele tinha dito qualquer coisa como “gostosa” para uma jovem mulher. E ela tinha mostrado o dedo, bem na sua cara. Tipo “te liga”. Ele explicava que aquilo não era abuso, era cantada. E a cada vez que explicava parecia encolher de tamanho. Acostumado ao topo da cadeia alimentar por quase toda uma vida, porque ele já era um velho, ele não conseguia compreender porque os lugares haviam mudado. Ele não podia mais fingir que era desejado, ele não podia mais dizer o que queria, e por fim ele desabafou que não era capaz de viver num mundo em que uma mulher não gostasse de ser chamada na rua de gostosa por um homem como ele. De repente, ele tinha ficado muito mais velho. E perguntava: mas por quê? E tenho certeza de que ele não estava blefando. Ele não sabia. Porque por tempo demais não precisou saber. E agora precisa. Naquele exato momento, aquele homem perdeu o último pinto que ainda ficava duro. E não tinha a menor ideia sobre como alcançar potência sendo o que não sabia como ser.

De tantas cenas fortes deste ano, a minha foi essa pequena, quase despercebida. Um desacontecimento que desvela um acontecimento feito onda.

Mulheres protestam contra PEC 181 que pode criminalizar o aborto, na Avenida Paulista, em novembro de 2017 ROVENA ROSA (AGÊNCIA BRASIL/EL PAÍS)

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Nem tudo foi retrocesso em 2017: há algo importante que se move e não é para trás

Leia na minha coluna no El País

Senador José Porfírio, Pará, Amazônia: altíssimo risco

Belo Sun deveria estar no centro do debate público, mas não está. O Brasil está tragado pela Lava Jato e pela disputa de 2018. Parece que Belo Sun não tem nada a ver com isso, mas tem e muito.

Nesta semana houve uma vitória importante na justiça. E os indígenas da Volta Grande do Xingu serão ouvidos, o que não aconteceu em Belo Monte. Mas no cotidiano de exceção que vivemos é preciso, mais do que nunca, pressionar para que a lei seja cumprida.

Dirceu Biancardi (PSDB), prefeito de Senador José Porfírio, afirma aos povos indígenas, na audiência pública para debater Belo Sun: "Eu considero vocês seres humanos igual eu". LILO CLARETO

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Um projeto que pode ser mais destruidor do que Belo Monte está em disputa no Xingu e os brasileiros não estão nem aí

Leia no El País

 

A Globo, do outro lado do paraíso

Chamada por uma parte da sociedade brasileira de “golpista”, por outra parte de “comunista”, o momento vivido pela Globo, a maior e mais influente rede de comunicação do país, é revelador do Brasil atual.

As atrizes Bianca Bin e Nathalia Timberg em cena da novela 'O outro lado do Paraíso' DIVULGAÇÃO/GLOBO

As atrizes Bianca Bin e Nathalia Timberg em cena da novela ‘O outro lado do Paraíso’ DIVULGAÇÃO/GLOBO

Leia na minha coluna no El País

Os 18 vendilhões

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Reprodução do Facebook do Pastor Takayama, presidente da Frente Parlamentar Evangélica, com parte dos deputados que aprovaram a mudança antiaborto na PEC 181

Como o Congresso brasileiro se tornou o melhor lugar para homens que odeiam as mulheres, especialmente as negras

A imagem de um grupo de homens rindo, batendo palmas e gritando porque tinham sido malandros o suficiente para fazer uma sacanagem com as mulheres (e também com os homens sérios do país) deve ir para a posteridade como um dos momentos mais baixos do Brasil. Há cenas assim, que contam uma história inteira. E esta é uma delas.

Leia na minha coluna no El País

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