Maria, preciso te contar sobre Bolsonaro, o fazedor de órfãos

Maria, você tem apenas 2 anos. Um, dois. E apenas esses dois anos separam seu nascimento da morte do seu pai. Lilo Clareto morreu em 21 de abril. A causa oficial da certidão de óbito é: “sepse grave, pneumonia associada à ventilação e covid (tardia)”. Mas essa é apenas a verdade parcial sobre a morte do seu pai. Eu olho para você, Maria, e me preparo para a conversa que um dia teremos, aquela em que precisarei contar a você a verdade inteira.

Maria, seu pai foi vítima de extermínio. Seu pai é um dos mais de 410.000 brasileiros que tombaram por um crime contra a humanidade entre os anos de 2020 e 2021. Enquanto eu escrevo essa carta para você, os assassinatos seguem acontecendo a uma média de quase 2.400 cadáveres por dia. Eu olho para você, Maria, e você ainda diz, os olhos escancarados de expectativa, quando alguém faz barulho na porta da frente: “pa!”. E, então, decepcionada: “pa?”.

(continue lendo a carta no site do EL PAÍS Brasil)

LILO CLARETO / ACERVO PESSOAL

LILO CLARETO / ACERVO PESSOAL

 Leia em português e em espanhol

Atenção: Bolsonaro vai ficar mais perigoso

Bolsonaro é uma besta. E está se movendo. Acuado e isolado, quase certamente ficará mais perigoso. É urgente impedi-lo antes que um horror ainda maior do que centenas de milhares de mortes aconteça.

Passageiros circulam em ônibus lotado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, ao lado de outdoor crítico a Jair Bolsonaro. RICARDO MORAES / REUTERS (Reprodução do El País)

Passageiros circulam em ônibus lotado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, ao lado de outdoor crítico a Jair Bolsonaro. RICARDO MORAES / REUTERS (Reprodução do El País)

Leia no El País

Respira, Lilo!

Amigos,

Nestes tempos tão duros, a gente precisa fazer também o que não sabe. Eu fiz um vídeo, responsabilizando Bolsonaro pelo que acontece com Lilo e com todos aqueles que lutam para respirar num leito de hospital ou, pior, na fila para um leito de hospital. Por todas as centenas de milhares de pessoas mortas por covid-19, mortes que poderiam ter sido evitadas. E que seguem aumentando. Bolsonaro precisa ser responsabilizado criminalmente pelo que fez e faz. E penso que, já que os tribunais são fracos e/ou covardes, precisamos começar nós mesmos a responsabilizá-lo apontando o dedo publicamente. Já faço isso em texto, há meses. Agora fiz também em vídeo.

O vídeo faz parte da campanha para arrecadar dinheiro para pagar a conta da UTI do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde Lilo está internado desde 21 de março, em estado muito grave. Ele segue na fila para uma vaga na rede pública. Mas, como todos sabem, não há.

Se puderem ajudar a divulgar o vídeo, mando o link das duas redes. Esta fase da campanha está sendo feita pelas minhas páginas no Facebook e no Instagram. São depoimentos lembrando que Lilo não é um número, é uma pessoa. E tem história. Penso que, ao lutar por Lilo, estamos lutando por todas e todos. Nos recusando a aceitar essa conta macabra. Nenhum/nenhuma a menos.

Aqui, no Facebook:

https://www.facebook.com/brumelianebrum/posts/288897105931455

No Instagram:

https://www.instagram.com/p/CNNyLdrgg5y/

 

VAKINHA: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/respira-lilo

#REDEDEAMIGOSDOLILÃO

Pela vida do fotógrafo Lilo Clareto!

FOTO-LILO

Nosso amigo Lilo, um dos melhores fotojornalistas do Brasil, dedica sua vida a denunciar as desigualdades e violações dos direitos humanos com suas fotos extraordinárias. Vítima de Covid-19, em estado muito grave, Lilo agora é vítima das desigualdades e violações que sempre denunciou. Precisamos da sua ajuda para salvá-lo. Não solte a nossa mão

Lilo Clareto possivelmente se contaminou ao documentar o ecocídio e a crise humanitária provocados por Belo Monte na Volta Grande do Xingu, na Amazônia. Em 2017, ele se mudou de São Paulo para Altamira para documentar as violações cometidas contra os povos da floresta ao lado da jornalista Eliane Brum. Na cidade amazônica se apaixonou por Dani e desse amor nasceu Maria, hoje com apenas 2 anos. Muitas das fotos que você viu na imprensa mostrando a destruição da floresta e de seus povos foram feitas por ele. Muitas das fotos que você viu na imprensa mostrando a beleza da floresta e de seus povos também foram feitas por ele. Agora, Lilo precisa de nós.

Lilo, como a maioria dos brasileiros, é um usuário do SUS. Ele primeiro passou por uma unidade de pronto-atendimento e dois hospitais públicos de Altamira. Em 21 de março, já intubado, Lilo precisou ser tirado às pressas do Hospital Regional Público da Transamazônica. Como o SUS entrou em colapso devido ao número de casos de Covid-19, não conseguimos vaga em hospital público com UTI de nenhuma capital do Brasil. Uma rede de amigas e amigos de todas as partes do Brasil e também de outros países então se juntou para conseguir o dinheiro necessário ao pagamento de uma UTI aérea da Amazônia até São Paulo e também da entrada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Desde então, Lilo está internado numa UTI privada na capital paulista.

Lilo segue à espera de uma vaga no sistema público, mas não há. E a dívida com o hospital segue aumentando. Como todos sabem, o valor da medicina privada é assombroso e aumenta todo dia. Nem Lilo nem sua família são ricos. Sua mãe, uma mulher nascida e criada na roça mineira, só se alfabetizou com mais de 90 anos. Depois de trabalhar por muito tempo no Estadão e depois na revista Época, Lilo se tornou freelance e ingressou na vida do precariado, como aconteceu com a maioria dos jornalistas e fotojornalistas da imprensa brasileira em crise. Aquilo que se chama “autônomo” ou “pessoa jurídica”, o que significa que, na prática, não conta com nenhum direito trabalhista e, quando adoece, se descobre em total desamparo. Como agora.

Nós formamos o que chamamos de “Rede de Amigos do Lilão”. E, como a maioria dos brasileiros, vivemos uma situação impossível. E indigna. Não conseguimos uma vaga na rede pública para internar Lilo, como seria seu direito constitucional. Ao mesmo tempo, já raspamos nossas economias para pagar os custos da medicina privada e, mesmo assim, a conta só aumenta. Devemos então tirar Lilo do hospital e deixá-lo morrer na sarjeta? Mais uma cova aberta no cemitério chamado Brasil?

Nosso grito por ajuda é também uma denúncia. Só podemos contar uns com os outros. Então, estendemos a nossa mão e esperamos que você nos alcance a sua. Nos ajude a salvar o Lilo.

Neste momento, ele segue em coma induzido, intubado, num leito de hospital. Do lado de fora da UTI, nós, seus amigos, resistiremos ao horror que Jair Bolsonaro nos condenou ao converter o Brasil no pior país para a pandemia de Covid-19. Resistiremos como floresta: em pé e em rede. E convidamos você a se juntar a nós.

Junte-se a nós para lutar pela vida do Lilo! Ninguém solta a mão de ninguém – e ninguém solta a mão do Lilo!!!

Rede de Amigos do Lilão!

 

COLEÇÃO LILO CLARETO  – 20 x 20 Galeria Solidária de Fotografia

Até 20 de abril, a 20 x 20 Galeria Solidária de Fotografia estará em campanha de solidariedade ao fotógrafo internado em estado grave. Acesse as redes, compartilhe, ajude a divulgar !

Compra de imagens na loja virtual https://liloclareto.myshopify.com/

Instagram https://www.instagram.com/galeriasolidariadefotografia/

 

Altamira, 21/jan/2017 - Menino da localidade conhecida por Paratizão, se refresca nas águas do lago formado pela barragem de Belo Monte. Foto: Lilo Clareto

Altamira, 21/jan/2017 – Menino da localidade conhecida por Paratizão, se refresca nas águas do lago formado pela barragem de Belo Monte.
Foto: Lilo Clareto

 

Vitória do Xingu, 15/10/2017 - Dentro da Reserva de desenvolvimento Sustentável (RDS) Vitória de Souzel, no município de Senador José Porfírio, o Tabuleiro do Embaúbal é conhecido por ser o ponto de desova das tartarugas do Xingu. Na verdade, as tartarugas empreendem uma viagem de cerca de 1.000km, desde a Ilha do Marajó para depositarem seus ovos nesse local sagrado para elas. Depois que nascem, as pequenas tartarugas fazem a viagem de volta a Marajó. E esse ciclo se repete pelos anos. Nossa personagem pricipal é a bióloga Cristiane Costa Carneiro, pesquisadora de quelônios, tem nesse ciclo vital objeto de seus estudos. Ela tem um auxiliar importante que é Luiz B. Cardoso Soares, um ribeirinho interessado e dedicado ao estudo das tartarugas. que passou a ser uma espécie de consultor da bióloga. Nesse nosso segundo dia de trabalho no tabuleiro, o material fotográfico é focado no nosso plantão de madrugada, para registrar o vai e vem das tartarugas, que vão se revesando para arranjar um local para a desova no areial, que, parece, vai ficando pequeno para tanta tartaruga, que, quando cava, acaba descobrindo ovos de outras mães. Nesse ponto os urubus vão cumprindo seu papel, fazendo a limpeza do loca, comendo os ovos descobertos. Foto: Lilo Clareto

Vitória do Xingu, 15/10/2017 – Dentro da Reserva de desenvolvimento Sustentável (RDS) Vitória de Souzel, no município de Senador José Porfírio, o Tabuleiro do Embaúbal é conhecido por ser o ponto de desova das tartarugas do Xingu. Na verdade, as tartarugas empreendem uma viagem de cerca de 1.000km, desde a Ilha do Marajó para depositarem seus ovos nesse local sagrado para elas. Depois que nascem, as pequenas tartarugas fazem a viagem de volta a Marajó. E esse ciclo se repete pelos anos. Nossa personagem pricipal é a bióloga Cristiane Costa Carneiro, pesquisadora de quelônios, tem nesse ciclo vital objeto de seus estudos. Ela tem um auxiliar importante que é Luiz B. Cardoso Soares, um ribeirinho interessado e dedicado ao estudo das tartarugas. que passou a ser uma espécie de consultor da bióloga. Nesse nosso segundo dia de trabalho no tabuleiro, o material fotográfico é focado no nosso plantão de madrugada, para registrar o vai e vem das tartarugas, que vão se revesando para arranjar um local para a desova no areial, que, parece, vai ficando pequeno para tanta tartaruga, que, quando cava, acaba descobrindo ovos de outras mães. Nesse ponto os urubus vão cumprindo seu papel, fazendo a limpeza do loca, comendo os ovos descobertos. Foto: Lilo Clareto

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